Quem sou eu

Retrouvaille significa Redescobrir. O Retrouvaille é um Programa voltado para casais que acreditam no seu relacionamento. Trata-se de uma experiência destinada a ajudar o casal a se redescobrir e a construir um casamento mais estável e mais harmonioso, em meio às pressões da atual sociedade e desafios do cotidiano. O Retrouvaille surgiu em Quebec, Canadá, em 1977 e chegou ao Brasil em 2000, na cidade de Curitiba, e em Recife, em 2001.

quarta-feira, 3 de abril de 2013

A capacidade de amar


Esta semana eu deparei com um assunto que muita gente adora, as vidas passadas. É o tema do livro do meu amigo Walcyr Carrasco, conhecido autor de novelas e um dos colunistas aqui da Época. O novo romance dele, Juntos para Sempre, tem como personagem central um advogado que começa a tropeçar em memórias de outra existência. Depois de um sonho muitas vezes repetido, ele procura um terapeuta, faz uma regressão de cinco séculos e inicia uma aventura que irá levá-lo à Espanha da Inquisição, ao encontro de um grande amor. Abri o livro na cama, na noite de domingo, e não consegui parar até a página 207, quando ele termina. Continuo sem acreditar em vidas passadas, mas me diverti um bocado.
Um aspecto menos divertido do livro do Walcyr, porém, continuou comigo depois da leitura: seu personagem principal é incapaz de amar. É um homem de quase 40 anos que gosta da companhia das mulheres, acha-as atraentes, mas nunca encontrou o sentimento profundo que justifique um compromisso. O livro explica a situação e a resolve nos seus próprios termos, mas o assunto ficou me incomodando. Há milhões de pessoas no mundo real que vivem assim, incapazes de gostar profundamente. Eu já deparei com elas, você também. Há um número ainda maior de pessoas com uma capacidade de amar muito pequena. Se formos honestos, aliás, teremos de olhar para nós mesmos, e para a nossa surrada biografia, e perguntar até que ponto somos capazes desse nobre sentimento. Eu temo que a resposta não seja agradável.
Minha impressão é que cada um de nós tem uma certa capacidade de amar. A de alguns será enorme, a de outros, mirradinha. Se isso parece estranho, compare com outros sentimentos. Medo, por exemplo. Todo mundo sabe que há pessoas mais medrosas e pessoas menos medrosas no mundo. Ou rancor. Há gente capaz de guardá-lo pela vida inteira, enquanto em outras ele desaparece em poucos dias. O mesmo vale para quase tudo. Alegria, generosidade, empatia. Cada um de nós parece dotado de diferentes quantidades de cada sentimento. A proporção e a combinação deles determinam a nossa personalidade, e a maneira como viveremos a nossa vida.
O amor não é diferente. Na escala da capacidade de amar, cada um de nós merece uma nota, que varia de 0 a 10. Claro, gostamos todos de pensar que somos 10, mas os fatos muitas vezes não autorizam essa presunção. Quantas vezes você já amou de maneira intensa, duradoura e – atenção – realista? Não vale paixão platônica, não vale amor unilateral, paixonite de carnaval não conta. A gente só descobre quanto é capaz de gostar quando o outro também gosta da gente e quando as duas vidas de alguma forma se misturam. Antes disso o jogo ainda nem começou.
Se, na vida real, você acha que é 10, mas a sua biografia sentimental não sugere mais do que quatro, pode ser que a pessoa certa ainda não tenha aparecido – mas isso pode ser apenas uma ilusão. É difícil imaginar que alguém que nunca foi capaz de se entregar ou de criar um vínculo duradouro vai conseguir fazê-lo, de uma hora para outra, porque apareceu a pessoa que tem a chave para os sentimentos dela. Soa como pensamento mágico.
Na vida real, as pessoas com grande capacidade de amar exercem esse dom ao longo da vida. Elas amam diferentes pessoas, por diferentes razões, em diferentes momentos. Ou amam a mesma pessoa desde sempre, o tempo todo. A capacidade de gostar está nelas, não vem do outro. Elas amam amar, por assim dizer. O potencial para se vincular é delas – como é delas a alegria, a coragem, a sensualidade.
A gente pode imaginar que a capacidade de amar nasce pronta com cada um de nós, mas eu prefiro pensar que a vida é quem molda os nossos sentimentos. As relações em casa e no mundo influenciam, desde muito cedo, a nossa capacidade de sentir. Sentir medo, sentir amor, sentir tristeza e alegria. Uma experiência ruim ali, uma decepção acolá, a gente nem percebe e vai se fechando feito uma ostra, desde pequeno. Quando cresce é que nota o que está fazendo falta, como a capacidade de amar ou de ser feliz – que me parecem ser a mesmíssima coisa.
Há duas maneiras de lidar com isso, eu acho. Uma é fatalista. A gente é o que é, ou é o que foi feito de nós, e não há mudança possível. Vivemos com isso e ponto. A outra, otimista, ou iluminista, sugere que saber é poder. Se você percebe que tem dificuldade em gostar das pessoas, se na escala do amor você não passa de cinco, tende mudar. Não é fácil, mas é possível. O tempo e o conhecimento melhoram a gente. Ao contrário das vidas passadas, a vida presente é mutável, melhorável e solucionável. Adorável também, de várias maneiras. De qualquer forma, tenho certeza que é a única, sem direito a segunda chance. É nosso direito, portanto, nosso dever na verdade, vivê-la da melhor forma possível – para nós e para os outros.

Ivan Martins
(http://revistaepoca.globo.com//Sociedade/ivan-martins/noticia/2013/03/capacidade-de-amar.html)

sábado, 30 de março de 2013

Sobre o amor...




"Não amar é cultuar uma forma de sofrimento. Amar reivindica também renunciar para melhor conseguir, para melhor resultado obter. Mesmo que na renúncia também possa se ferir."

"Ama verdadeiramente. Ama intensamente. E tu compreenderás os segredos de Deus e do céus mesmo que limitado seja o teu ser. Mas no amor não poderias te conter, por isso, a conseqüência natural de amar seria amar, porque amar sozinho não tem como nem porque..."
"O amor dignifica. O amor purifica, modifica por dentro. O amor é capaz de atos que jamais alcançará qualquer pensamento. Difícil no amor é renunciar. Renunciar até para depois ter de volta no desejo constante de ajudar e superar."


Disse o Pe. Airton Freire durante o Retiro de Páscoa.

quinta-feira, 28 de março de 2013

segunda-feira, 25 de março de 2013

Homilia do Pe. Airton do dia 23/03/13

Homilia do Pe. Airton do dia 23/03/13 na Faculdade Marista - "Na vida da gente a gente percebe que em determinado momento as coisas vão tomando um rumo e inevitavelmente a continuar da forma como está acontecerá o que os sinais anunciavam previamente. Uma conjugação de força de elementos poderão se tornar alinhados e o resultado será conforme essas forças possam provocar ou já teve provocado.

Na vida da gente alguns acontecimentos podem tomar proporção maior do que poderíamos imaginar e quanto mais os elementos se alinharem em força mais o fato se dará de forma a não se poder mais evitar. Assim acontece nos relacionamentos, acontecem em determinados momentos da vida da gente. Enquanto é tempo é possível mudar. Enquanto as coisas estão em curso é possível mudar a direção antes que seja tarde, antes que tu próprio querendo ou tu mesmo querendo não encontres condições de evitar de se ter este ou aquele acontecimento.

As coisas ganharam força interna e externamente com tal intensidade que elas poderão fugir ao controle da tua vontade. Mas a cada pessoa é dada mais de uma oportunidade para que ela possa refazer-se a partir de dentro e mudar o curso de determinados acontecimentos, enquanto ainda estão acontecendo internamente. Existem coisas que se tu vieres a mudar, se deixares de fazer concessão tu verás o resultado em que isso dará. Mas se tu fores deixando que essas coisas possam ir se adiando, a outros elementos tão fortemente, tu poderás perceber que tu terás mais nada o que fazer. Agirás tardiamente!

A cada pessoa é dada mais de uma oportunidade. Quanto a ti, por vezes, tu poderás recuar para depois avançar. Por vezes tu precisas te ausentar, a fim de ganhar tempo e pensar previamente acerca dos próximos passo que tu darás, enquanto é tempo.

Cada pessoa sente quando os ventos mudam de direção. Cada pessoa começa a perceber através de sinais elementos palpáveis, tangíveis, que as coisas estão mudando de rumo e direção. Antes que seja tarde, tu precisas fazer uma mudança enquanto é tempo.
O que o Evangelho conta é acerca de acontecimentos referentes à última semana de Jesus no meio de nós. O resto tu sabes como aconteceu. Ele entrou em Jerusalém e colocou para fora alguns cambistas e depois se ausentou para Betânia e ficou na casa de Lázaro, que fica cerca de 6km do Getsamani que Ele constumava tantas vezes frequentar. Ele estava se preparando para fazer a passagem pois estava terminando a missão que o Pai tinha dado e tinha confiado realizar.
Na tua vida se tu sentes ter uma missão, se tu fores chamado, convocado, a realizar um plano para o qual o Senhor tem te preparado, não recues desta decisão. Se os acontecimentos começarem a mostrar que da forma que como tu estás realizando, em algo mais sério poderá se dar, se sentires em teu coração que para ser coerente, verdadeiro, um preço alto haverás de pagar. Sê verdadeiro, sê coerente. Há coisas de que não vale à pena abrir mão. Eu já te disse várias vezes e repito novamente, ao Rei tudo menos a honra. A minha vida ao Rei e ao Reino eu poderei dar, mas a minha honra é o inegociável da questão. Isso eu não poderei abrir mão. Não é matéria de negociação. Por vezes, eu poderia até recuar, flexibilizar, mas fidelidade aos princípios em que eu acredito isso eu não poderei negociar.

Se o sal perder o seu sabor com que haverá de salgar. Se a luz que há em ti se tornar em trevas como grande a treva será. São palavras que disse Jesus. Tu possuis uma identidade que a qualquer custo precisa ser preservada. Tu não poderás negar Aquele que te criou e que te chamou. Aquele que de talentos te dotou e te enviou para que frutos em abudância tu pudesses dar. Não vás negar esse amor. Aquele que te trouxe até aqui é o primeiro interessado em que tu leves a bom termo a obra em que Ele se encarregou e te confirmou para que levasse até o fim.

Esta fidelidade de Jesus o levou uma cruz. A fidelidade de Jesus por amor levou a ir até o fim e no alto da cruz Ele disse que Tudo está consumado, cumpriu até o fim a divina Vontade, e por sua fideliddade, por seu amor fiel nós fomos salvos. Que sigas tu o exemplo do Senhor Jesus.
Se a tua vida estiver passando por uma mudança internamente ou externamente tu poderás te orientar a partir da Palavra que não engana, a partir da Palavra do Senhor da qual Vida, Verdade e Luz emanam. Isso não poderás negociar. Honra o Senhor teu Deus, ama-O acima de tudo pois além Dele outro Deus não há. Ama Verdadeiramente com toda a tua força, com toda a tua alma, com todo o teu entendimento e nada faças que fuja a este mandamento, o primeiro mandamento!

Se tu agires com firmeza e serenidade, acredita, o Senhor confirmará na Verdade todos os teus atos, e além do mais, tu e tua casa serão abençoados.

Louvado Seja o Nosso Senhor Jesus Cristo."

Padre Airton Freire
Homilia - 23/03/2013
(Encontro com Pe. Airton Freire em Recife na Faculdade Marista)


http://www.youtube.com/watch?v=nfeIdJ_YUwU


Boa semana !


sexta-feira, 22 de março de 2013

Às mães e futuras mães...

 
 
TEXTO MARAVILHOSO DEDICADO A TODAS AS MAMÃES E FUTURAS MAMÃES!

Nós estamos sentadas, almoçando, quando minha filha casualmente menciona que ela e seu marido es...tão pensando em “começar uma família”.

— Nós estamos fazendo uma pesquisa — ela diz, meio de brincadeira. — Você acha que eu deveria ter um bebê?

— Vai mudar a sua vida — eu digo, cuidadosamente, mantendo meu tom neutro.

— Eu sei — ela diz. — Nada de dormir até tarde n
os finais de semana, nada de férias espontâneas…

Mas não foi nada disso que eu quis dizer. Eu olho para a minha filha tentando decidir o que dizer a ela. Eu quero que ela saiba o que ela nunca vai aprender no curso de casais grávidos. Eu quero lhe dizer que as feridas físicas de dar à luz irão se curar, mas que tornar-se mãe deixará uma ferida emocional tão exposta que ela estará para sempre vulnerável.

Eu penso em alertá-la que ela nunca mais vai ler um jornal sem se perguntar: “E se tivesse sido o MEU filho?”; que cada acidente de avião, cada incêndio irá lhe assombrar; que quando ela vir fotos de crianças morrendo de fome, ela se perguntará se algo poderia ser pior do que ver seu filho morrer.

Olho para suas unhas com a manicure impecável, seu terno estiloso e penso que não importa o quão sofisticada ela seja, tornar-se mãe irá reduzí-la ao nível primitivo da ursa que protege seu filhote; que um grito urgente de “Mãe!” fará com que ela derrube um suflê na sua melhor louça sem hesitar nem por um instante.

Eu sinto que deveria avisá-la que não importa quantos anos investiu em sua carreira, ela será arrancada dos trilhos profissionais pela maternidade. Ela pode conseguir uma escolinha, mas um belo dia entrará numa importante reunião de negócios e pensará no cheiro do seu bebê. Ela vai ter que usar cada milímetro de sua disciplina para evitar sair correndo para casa, apenas para ter certeza de que o seu bebê está bem.

Eu quero que a minha filha saiba que decisões do dia a dia não mais serão rotina; que a decisão de um menino de 5 anos de ir ao banheiro masculino, ao invés do feminino, no McDonald's, se tornará um enorme dilema; que ali mesmo, em meio às bandejas barulhentas e crianças gritando, questões de independência e gênero serão pensadas contra a possibilidade de que um molestador de crianças possa estar observando no banheiro.

Não importa o quão assertiva ela seja no escritório, se questionará constantemente como mãe.

Olhando para minha atraente filha, eu quero assegurá-la de que o peso da gravidez ela perderá eventualmente, mas que jamais se sentirá a mesma sobre si mesma; que a vida dela, hoje tão importante, será de menor valor quando ela tiver um filho; que ela a daria num segundo para salvar sua cria — mas que também começará a desejar mais anos de vida, não para realizar seus próprios sonhos, mas para ver seus filhos realizarem os deles.

Eu quero que ela saiba que a cicatriz de uma cesárea ou estrias, se tornarão medalhas de honra.

O relacionamento de minha filha com seu marido irá mudar, mas não da forma como ela pensa. Eu queria que ela entendesse o quanto mais se pode amar um homem que tem cuidado ao passar pomadinhas num bebê ou que nunca hesita em brincar com seu filho. Eu acho que ela deveria saber que ela se apaixonará por ele novamente por razões que hoje ela acharia nada românticas.

Eu gostaria que minha filha pudesse perceber a conexão que ela sentirá com as mulheres que, através da história, tentaram acabar com as guerras, o preconceito e com os motoristas bêbados.

Eu espero que ela possa entender por que eu posso pensar racionalmente sobre a maioria das coisas, mas que me torno temporariamente insana quando discuto a ameaça da guerra nuclear para o futuro dos meus filhos.

Eu quero descrever para minha filha a enorme emoção de ver seu filho aprender a andar de bicicleta.

Quero mostrar a ela a gargalhada gostosa de um bebê que está tocando o pelo macio de um cachorro ou gato pela primeira vez. Quero que ela prove a alegria que, de tão real, chega a doer.

O olhar de estranheza da minha filha me faz perceber que tenho lágrimas nos olhos.

— Você jamais se arrependerá — digo finalmente. Então estico minha mão sobre a mesa, aperto-lhe a mão e faço uma prece silenciosa por ela e por mim e por todas as mulheres meramente mortais que encontraram em seu caminho esse que é o mais maravilhoso dos chamados; esse presente abençoado de Deus, que é ser mãe.

Autor Desconhecido

FOTO DE Lilo Faria - Curitiba
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